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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Resenha Perigosas #8


Atenção: esse texto contém spoilers

O oitavo livro da saga PLL chega ao Brasil com o nome de Perigosas. Wanted, no original, é o volume responsável por nos apresentar uma das personagens mais conturbadas de Rosewood. A trama já começa tumultuada com a Sra. DiLaurentis convocando imprensa, polícia e vizinhos para um anúncio que vai revirar o caso do assassinato de Ali, a vida das Liars e da sua própria família. Do alto de um palanque, em frente a sua casa, a família DiLaurentis quebra o silêncio perante Rosewood e apresenta uma terceira filha, até então escondida entre as paredes de hospitais para doentes mentais. Sim, é ela: Courtney Dilaurentis.


Com Billy atrás das grades, a polícia e a família de Ali estão convencidos que ele é o assassino que tanto procuraram. Ele também é o acusado de ser o assassino da pobre Jenna Cavanaugh, que foi encontrada morta em uma vala no final do livro anterior. As Liars estão aliviadas que o responsável pelo crime está preso mas alguma coisa não deixa que elas realmente acreditem que Billy é o verdadeiro culpado. Que motivos teria um pedreiro para ter tanto ódio de Ali e de Jenna a ponto de matá-las? O que essas meninas teriam feito para ele? Ninguém sabia. A única coincidência é que Billy trabalhou em ambas as cenas dos crimes - que eram as casas de Ali e Jenna. E só.



Bombardeadas com imagens e reportagens de Billy e sobre si mesmas por toda Rosewood, as Liars vão até a casa dos DiLaurentis a pedido da mãe de Ali. Elas não faziam ideia do que iam encontrar. Mas também não poderiam imaginar o tamanho da bomba: para o espanto de todos, a família DiLaurentis é composta por três filhos. Jason, o mais velho; Alison, que foi assassinada e Courtney, sua irmã gêmea idêntica.



Diante de uma cidade estupefata com essa revelação, as meninas se aproximam de Courtney, que age com naturalidade, pois quer ser amiga das melhores amigas da irmã que morreu. Por decisão da família, só agora, com as coisas aparentemente nos trilhos, eles optaram por apresentar Courtney. Mas com uma ressalva: ninguém precisava saber que ela passou a maior parte da vida no sanatório Radley.



Aos poucos, Courtney trata de se enturmar com as Liars, passa a frequentar o Rosewood Day, se aproxima de Naomi e Riley e atrai todos os olhares por onde passa por causa da assustadora semelhança com Alison.



É nesse livro que as meninas, uma de cada vez, se lembram do dia em que conheceram Ali no quintal da casa dela. Todas se lembram de uma cena bem curiosa: primeiro Ali chegou com uma roupa, falou com elas. Depois, com outra roupa, voltou e tratou-as de maneira diferente, como se não fosse a mesma pessoa de alguns minutos atrás. Elas se lembram exatamente de todos os detalhes do dia em que invadiram o quintal de Ali em busca da cápsula do tempo para o Charity Day do colégio. Foi nesse dia que Ali as escolheu para serem melhores amigas para sempre.



A estrutura da narrativa permanece a mesma dos outros livros: em cada capítulo, o narrador aborda a vida de uma das Liars. Mas dessa vez, os capítulos contam uma mesma história: como Courtney contou para cada uma delas, individualmente, que ela não era Courtney mas sim Alison. Courtney pede para que continue sendo chamada de Courtney e explica que ela, Alison, foi vítima de uma armação de Courtney para que fosse para o sanatório e por isso tem que ter cautela com seus pais para que o erro não se repita e ela volte para lá.


Courtney se revela como Alison para uma Liar de cada vez e propõe que após o baile da escola todas as amigas se juntem para uma viagem rápida a cabana de Poconos, onde já passaram bons momentos juntas e possam ter um momento de paz. As Liars se assustam com o impacto do troca-troca das gêmeas, mas logo se deixam seduzir por Courtney e confirmam que vai haver sim uma nova reunião em Poconos.

Junto com a revelação de que Courtney é Alison, Courtney toca em assuntos que deixaram as Liars muito ligadas a Ali. Ela beija Emily, cutuca os laços familiares que a une com Spencer, apronta com Naomi e Riley para defender Hanna e abre os olhos de Aria para não deixar que o namoro dela com Noel desande.

Paralelo a essas reviravoltas, as meninas se lembram que na noite em que Ali sumiu, elas tinham tirado algumas fotos com uma Polaroid e que era possível ver alguém do lado de fora, na janela, mas que não podia ser bem definido porque o flash estourou bem em cima do rosto dessa pessoa. Nos noticiários, essa foto e alguns vídeos das já conhecidas Pretty Little Liars escandalizam as meninas, que descobrem que por muito tempo estavam sendo observadas por Billy, o suposto assassino de duas de suas amigas.

Em meio a tanto tumulto, Hanna termina com Mike por conta de um boato que queimou a popularidade dele e ela não quer arriscar perder a dela. Spencer está com Andrew, que mal aparece. Emily está solteira e deixa, mais uma vez, o amor que sente por Ali falar mais alto. Melissa se torna mais suspeita do que nunca para as Liars, principalmente porque depois que Courtney foi anunciada, ela não atende mais o telefone.

Mesmo anestesiadas com a chegada de Courtney, que revelou ser Ali, as Liars estão muito felizes de ter sua grande amiga de volta e essa felicidade vai ser celebrada na cabana em Poconos.

Após o final do baile, as meninas se juntam e seguem para a cabana, com muita bebida, cheetos, energético, biquínis tamanho zero e a companhia de Ali. Na cabana em Poconos, as Liars logo se vêem trancadas na sala prontas para repetir o mesmo ritual da noite em que Ali sumiu: uma sessão de hipnose. Até começarem a sentir um cheirinho de fumaça. Por debaixo da porta, uma carta chega para deixar ainda mais atordoante a volta de Ali.

É nessa carta que Alison DiLaurentis conta que ela não é Courtney, que ela matou a irmã gêmea porque ela sempre quis se passar por ela e armou para ela (Ali) ir para o sanatório em seu lugar (Courtney).

Não foi de Alison que as Liars ficaram amigas, mas sim de Courtney. Alison diz que jamais andaria com umas meninas iguais a elas e que Courtney ter feito isso, se passando por ela, foi um crime imperdoável. Alison se revela como a segunda -A, assume que armou para incriminar Billy e que teve que dar um fim em Ian e Jenna porque os dois sabiam da existência das gêmeas.

As Liars náo conseguem esconder a decepção por terem sido enganadas e, agora, super humilhadas pela verdadeira Ali. Mas elas precisam sobreviver ao incêndio, que já tomava conta da cabana, para sobreviver a vida após essa bombástica revelação. As meninas encontram uma saída depois que abrem um armário e também encontram Melissa amordaçada junto com o cadáver, já em estado de putrefação, de Ian. As Liars conseguem a sair da cabana, que explode, e deixa no ar, queimando como os escombros, a dúvida se Alison DiLaurentis realmente morreu. Segundo a polícia, seria impossível alguém sobreviver aquele fogo.

Perigosas é um dos livros mais interessantes da saga. Em vez de girar em torno das ameaças de -A, a história se concentra em conectar as Liars com Courtney e através da revelação da irmã maluca explicar várias pontas que ficaram soltas nos livros anteriores. Com a chegada de Courtney, as meninas descobriram quem eram as duas loiras que Ian viu próximo a floresta; acharam a resposta para a frequência do nome de Jason na papelada do Radley; Hanna descobriu que Ali foi colega de quarto de Iris, de quem ela também foi colega na última clínica em que esteve; Aria entendeu porque a médium Esmeralda falou que Ali matou Ali e finalmente descobriram que a pessoa que estava as espionando no dia em que "Ali" desapareceu era a própria Alison, que por ter o cabelo loiro e o flash estourado no rosto, conseguiu ser confundida com Billy e Melissa.

Perigosas confirma que foi Courtney quem foi amiga das meninas e acabou sendo assassinada por Ali. Mas não confirma se Alison morreu no incêndio da cabana. Ainda no livro, o narrador conta que algumas pessoas afirmam ter visto a menina de cabelos dourados, rosto de maça e lábios de coração em vários lugares do mundo. Um deles é a Jamaica, onde a saga das PLL recomeça.

Livro: Pretty Little Liars Perigosas

Título Original: Pretty Little Liars Wanted
Autora: Sara Shepard
Número de páginas: 272
Editora: Rocco
Preço: R$27,80

Diário de Ali - Parte IV

"Então, adeus" eu disse abruptamente. Eu marchei pelo quintal, meus saltos médios perfurando a grama. Eu girei a maçaneta da porta, que era de metal, e entrei. A cozinha estava vazia e fria. Alguém deixou a máquina de fazer café ligada mas não havia café na garrafa.

Minha mãe deixou a louça amontoada para não ficar nada boiando na pia. Alguns casacos foram deixados perto da porta. Perto do fogão não tinha mais sapatos jogados. Eles estavam no tapete ao lado da máquina de lavar. Eu estava sozinha. Abri as cortinas sobre a pia e espiei o quintal. Aria, Spencer, Hanna e Emily ainda estavam lá, olhando chocadas.

Após um tempinho, elas chacoalharam as cabeças e cada uma foi em uma direção. Hanna parou para amarrar um dos seus cadarços, acumulando gordura na cintura ao agachar perto de sua bicicleta. Emily suspirou e marchou pelo meu quintal. Aria desapareceu em meio a floresta, chacoalhando os ombros um pouco brava. Spencer andou com a coluna bem reta rumo ao seu quintal. Ela fez uma careta como se estivesse  com gazes. 

Bom, mesmo assim essas meninas vão trabalhar para mim. Eu preciso de novas amigas; Naomi e Riley são passado. E elas tem potencial. Hanna usava um jeans Paper Denim maravilhoso (seria melhor se fosse alguns números menor) e que eu nunca vi nas lojas. Aria realmente é bonita, mas ela precisa ter o cabelo de uma cor só e não se vestir como um elfo. Emily tem um sorriso doce e posso dizer que aqueles ombros devem ser ótimos para chorar. E alguma coisa me chama atenção em Spencer, embora eu mesma não saiba dizer o que é. Talvez seja porque nós somos loiras, bonitas e queremos as coisas feitas do nosso jeito. Talvez garotas como nós pensem da mesma maneira.

Com toda certeza, essas meninas vão adorar tudo o que eu fizer e vão fazer tudo o que eu disser - sempre.

Isso é exatamente o que eu estou procurando.

Uma nuvem parou em frente ao sol, escurecendo o interior da minha casa. Eu subi as escadas, parei diante da minha cama e a observei. Permaneci bem quieta em cima do tapete. O único barulho que se ouvia era do ventilador próximo a cabeceira. Fotos decoravam as bordas do espelho de tamanho grande e em uma mesinha estava um boletim com um aviso. As roupas estavam penduradas no guarda roupa; sapatos de salto, sandálias e uma sapatilha de bale estavam guardados em um guarda-sapatos atrás da porta.

Eu me admirei no espelho e dei um sorriso. Meu coração ainda batia muito forte, mas por dentro eu estava calma e tranquila.

Respirei fundo, me sentei e comecei a escrever aqui. Afinal, depois de tudo, tenho algumas mudanças pra fazer. Uma tonelada de planos para por em prática. E agora é a melhor hora para começar.


FIM

Diário de Ali - Parte III

Ouvi um sussurro. Uma das garotas tossiu. "Está tudo bem!" eu disse em voz alta. "Mas se vocês vieram por causa da minha bandeira, está um pouco tarde. Alguém já roubou e eu não sei quem foi." eu disse a elas. Claro que isso era mentira. Jason havia pego a bandeira da minha mão há pouco tempo. "Já chega!" disse ele com aquele tom de voz irritante e dramático sem me dar chance de pará-lo. Mas eu não queria contar isso as garotas, porque aí eu teria que começar um outro assunto e tudo ficaria uma bagunça. Era melhor eu fingir que não sabia de nada. 

As garotas começaram a me rodear e a me observar como se eu fosse feita de cristal Swaroviski. Seus sorrisos estavam nervosos e iluminados, mas elas arrumaram os cabelos e relaxaram os ombros para fingir que estavam descontraídas. Elas fizeram mais perguntas sobre a bandeira e eu inventei mais coisas, dizendo que ela estava em minhas mãos e, um minuto depois,  não estava mais. Eu também contei a elas como eu enfeitei a bandeira e como eu estava com ódio de quem havia pego. Mas nessa parte eu não menti: foi Jason que pegou e eu estava com raiva dele por essas e outras razões.

De repente minha mãe apareceu na porta dos fundos. Ela havia mudado de roupa: deixou o hobby e os chinelos de ficar em casa para usar saia e salto alto. Seus olhos cerraram em direção a mim. Todo o meu corpo tremeu. "Ali?"

As quatro meninas olharam para ela e eu também. Elas acenaram. "Então, nós estamos indo agora, ok?".

Eu respondi "tudo bem", dei um sorrisinho mas sem me mover eu disse tchau!. 

Minha mãe continuou olhando como se tivesse algo a dizer. Vá logo, eu estou me matando pra não começar a gritar. Ela estava esperando que eu entrasse e fosse me despedir de um jeito mais fraternal? Só podia ser isso!

As garotas se amontoaram atrás de mim.

Finalmente, minha mãe se virou e trancou a porta de vidro. As garotas começaram a falar de novo e a repetirem os nomes delas. A Mechas-Pink era Aria - ela tinha que ter um nome meio doido que nem esse. A bochechuda era Hanna. A cabelo cor de morango era Emily. Eu fingia ter memorizado mas não estava prestando muita atenção. Meu olhar continuava fixo para dentro da minha casa. As luzes do quarto do andar de cima se apagaram. Eu ouvi um sussurro e a porta do carro se fechou. Então, o Mercedez champanhe da minha mãe despontou na garagem. As janelas estavam fechadas mas eu pude ver meus pais nos bancos da frente, sérios e soluçando. Eles abriram a caixa de correios e aceleraram o carro. 

Eu suspirei aliviada. Finalmente.

Eu me virei para as garotas e percebi que não precisava mais delas, que não precisava mais estar com elas. Eu sou Alison Dilaurentis. Eu posso fazer o que eu quiser!


Diário de Ali - Parte II

Todas elas continuaram lá, paradas. Alguma coisa me dizia que aquelas meninas não haviam combinado de se encontrarem no meu quintal ao mesmo tempo. Quando eu vi que elas se encararam e se fecharam em um pequeno círculo, percebi que eu estava certa. Spencer mexia suas mãos de maneira autoritária em direção as outras. A Mechas-Pink fincou suas botas ridículas bem em cima do meu gramado perfeito. A bochechuda fez uma careta e enrolou um pedaço do seu cabelo opaco no dedo. A ombros de nadadora fitou o chão com cara de culpada. 

"Eu cheguei aqui primeiro" esbravejou uma. "Eu cheguei antes de você", choramingou a outra. "Eu vi você saindo da sua casa agora há pouco".

De repente eu tive quase certeza do motivo delas estarem aqui e o que elas procuravam. Eu gostaria de ter ouvido mais o que elas falaram mas, de repente, senti uma mão em meu ombro. Como sempre, eu fui puxada para outro assunto. É assim que a família DiLaurentis trata você. Nós sabemos perfeitamente o que está acontecendo mas tudo que devemos fazer é discutir. Quando a discussão entre elas estava encerrada, meu irmão Jason apareceu na porta dos fundos e começou a resmungar, andando enfurecido pelo quintal. As meninas correram. Eu queria matar Jason! 

Jason colocou e tirou o capuz de sua cabeça várias vezes. De repente, ele começou a olhar para o quintal de Spencer. Melissa estava sentada na borda de uma banheira de hidromassagem com Ian Thomas. A cara que Jason fez era de ódio. Suas bochechas ficaram tão vermelhas quanto os tomates da mamãe. Eu quase soltei uma gargalhada. Não é possível que ele goste dessa nojentinha. Ele está com ciúmes de ver ela com Ian? 

Eu, particularmente, acho que Ian merecia alguém melhor.

Finalmente, Jason começou a andar. Se enfiou no meio da floresta, se afastando completamente das meninas, que estavam escondidas nos arbustos. Depois de eu ter certeza que Jason se foi de vez, eu mesma apareci na porta dos fundos. Os olhos das meninas se arregalaram quando me viram. Elas ficaram imóveis. Elas me lembraram aqueles veados, que as vezes querem saltar no meio da estrada, mas em vez de saltar, ficam ali parado, sem certeza do que fazer.

"Vocês podem sair", eu disse com um tom de voz meio chatinho.