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domingo, 3 de julho de 2016

Especial: Conversinha paralela

Conversinha paralela

Coisas do interior, encontros que não são tão casuais quanto parecem. Ela sempre maquiada, o decote sutilmente mais cavado, a roupa justa desenhando o corpo esculpido em pelo menos cinquenta minutos diários de ginástica. Sabe que está na melhor forma, que não é à toa todos aqueles olhares. Ele cada vez mais arrumado e perfumado, barba feita há poucas horas, testosterona transbordando sem deixar dúvida sobre suas intenções ali: ela.

A paquera já dura pelo menos cinco semanas, mas a verdade é que para os dois parece uma vida inteira. Trinta e cinco dias mais ou menos que não saem com outras pessoas, que são, de certa forma, um do outro.  O encontro dos dois é sempre ali, aos sábados. Ela sabe a hora exata que ele costuma chegar, por isso se programa para sempre entrar quinze minutos mais tarde. Ele espera ansioso por esse momento olhando o relógio de minuto em minuto. Já deveriam ter passado daquele estágio, mas a troca de olhares, pela intensidade que carrega, de certa forma os inibe como se fosse a primeira vez. Sem contar que é deliciosa aquela sensação… De ver quem aguenta mais antes de desviar os olhos não sem antes abrir um sorrisinho. Tímidos? Eles?

É incontrolável o que um desperta no outro, a faísca que sai quando se veem. Tentam disfarçar, conversinhas paralelas, mas não evitam aquela conferida de ladinho para checar se ele, se ela, ainda está lá. Está… Ufa!  De hoje não passa, nem teria como. Ela está especialmente linda e sente suas pernas bambearem quando passa ao lado dele, ao  inspirar aquele perfume. Sabe que ele está filmando, reparando de cima abaixo. Descarado! Ela se concentra para não perder o rebolado… “Ela não vai me olhar?”, ele pensa. Ela adivinha e corresponde. Era o que ele precisava.

Mais um drinque, por favor… Para os dois.  Pela forma como ela ri com as amigas, deve ser uma história engraçada. Ele não concentra no que seus amigos dizem, que papo é esse de Campeonato Mineiro logo agora? Galo,  Cruzeiro, América. Quê? Corinthians? Como o papo foi parar no Corinthians???  Ela continua entretida na história e joga, vez ou outra, a cabeça para traz rindo bastante do que escuta, mas de repente – até parece! – repara nele e fica um pouco sem graça; “oi”,  olhos que falam, “oi”, olhos se cumprimentam. Ele chama o garçom, pede outro chopp. E avança:





























O tempo para do instante em que o garçom recebe as instruções e sai para sua missão. Ela se faz de surpresa quando pega o pedaço de papel, desdobra lentamente, fica um tempo encarando a folha. Levanta a cabeça, volta a olhar para o que está escrito,  relê, sorri e comenta com a amiga que tenta disfarçar, mas não contém a empolgação com a novidade. Dá para ver que eles têm torcida pela forma como ela, a amiga, a ajuda a conferir a maquiagem, a ajeitar os cabelos, a ficar ainda mais perfeita. “Até parece que é possível ficar mais linda…”, ele pensa alto. Silêncio entre os amigos que se entreolham e caem na gargalhada. “Não liga para eles”, ele é pontual com a mensagem que passa com o olhar daquela vez.  Ela, a poucos metros de distância, tem certeza do que ele está pensando e concorda com um movimento sutil de cabeça: “Vamos então”.  Está acontecendo… Coração na boca, que tonteira estranha é essa? Não bebeu tanto assim…  Ai, vai… Que beijo bom ai ai ai, ui ui.



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